Hoje vi esta publicação no face de uma amiga e comecei a rir sozinha. Me lembrei
da peça teatral "Parente não é gente".
Laços sanguíneos
são importantes porque nos norteiam, mas muitas vezes são relações nos impostas
pela vida. À medida que vamos crescendo e vamos moldando nossa personalidade
percebemos que algumas pessoas compartilham das nossas ideias e outras não. O
que é bom, já que as grandes soluções surgem dos conflitos de argumentação.
Minhas famílias
materna e paterna são totalmente opostas! Sempre achei divertido observar as
diferenças e me apegar àquilo que eu via de positivo nas duas. Claro que herdei
também traços negativos que, com alguma frequência, me vejo repetir.
O que quero
realmente dizer é que laço sanguíneo não define amor, compaixão, respeito e
amizade. E, acreditem, aprendi isso da maneira mais dura! Perdi praticamente
uma família inteira de uma só vez, senti que meu núcleo familiar (pais e irmão)
foi injustiçado na época, mas hoje percebi que nossos pensamentos e nossa
escolha de como viver a vida não seguem os mesmos padrões. Eu, por exemplo, não
abro mão da minha liberdade de pensar, do meu livre arbítrio e da minha
exigência em ter direito de resposta. Se for acusada de algo tenho o direito de
saber, pelo menos, qual o meu "crime".
Certa vez numa
roda de 'Luluzinhas' escutei um desabafo: "O grande conflito das relações
familiares é que nos sentimos obrigados a amar nossos pais, irmãos e todos os
outros parentes. Só que nem sempre isso é possível, porque há pessoas com grau
de parentesco próximo que não compartilham da mesma energia que a nossa."
Nunca mais esqueci isso!! Serviu como uma luva para mim. Obrigado a amar? Isso
existe?! Existe...
Há uma luta
interna quando percebemos que algumas pessoas que deveriam ser importantes
simplesmente não os são ou deixaram de ser. Isso não quer dizer que as odiemos
ou desejamos o mal, simplesmente não cabem em nosso mundo.
Hoje eu sei que
durante muito tempo algumas pessoas me foram essenciais, pois me deram base
educacional, me ajudaram a construir meu caráter, minha índole e,
principalmente, me incentivaram a pensar! Como eu amo pensar! Costuro
pensamentos o dia todo!
Só que eu percebi
que algumas daquelas pessoas fortes, persuasivas e inteligentes usaram sua
inteligência de maneira que não me agrada. O poder de persuasão é traiçoeiro,
influenciar alguém é uma responsabilidade muito grande. E foi assim que os
castelos de areia se desmoronaram à minha frente. Atitudes desnecessárias e por que não dizer covardes fizeram com que
o amor deixasse de existir, não existe amor sem admiração. Quando, após anos, entendi tudo isso parei de sofrer e passei a admirar ainda mais aqueles que permaneceram comigo.
Não odeio, não
quero mal, só não os quero por perto. Tenho ao meu redor meus parentes que são
família e, mais importante, meus amigos! Eu os escolhi, os tenho por perto por
opção. Cultivo a cada pensamento o amor que tenho por todos eles.
Meus amigos de
infância, adolescência, familiares e aqueles que chegaram há pouco e parecem
estar comigo há uma vida ocupam espaços que eu nem tinha percebido que estavam
vazios. Estas pessoas são os verdadeiros presentes de Deus em minha vida. É uma
maneira muito sutil e divertida de Deus dizer que está comigo!
Viva no amor, mas não no amor cego e incondicional. Ame ao
próximo, tenha respeito por todos, mas cuide e preocupe-se com quem realmente
merece sua atenção, sua energia e seu carinho.
O ódio é um amor doente, a indiferença é o que nos liberta
daquilo que já não faz mais sentido!

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