sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

O amor é obrigatório?




Hoje vi esta publicação no face de uma amiga e comecei a rir sozinha. Me lembrei da peça teatral "Parente não é gente".

Laços sanguíneos são importantes porque nos norteiam, mas muitas vezes são relações nos impostas pela vida. À medida que vamos crescendo e vamos moldando nossa personalidade percebemos que algumas pessoas compartilham das nossas ideias e outras não. O que é bom, já que as grandes soluções surgem dos conflitos de argumentação.

Minhas famílias materna e paterna são totalmente opostas! Sempre achei divertido observar as diferenças e me apegar àquilo que eu via de positivo nas duas. Claro que herdei também traços negativos que, com alguma frequência, me vejo repetir.

O que quero realmente dizer é que laço sanguíneo não define amor, compaixão, respeito e amizade. E, acreditem, aprendi isso da maneira mais dura! Perdi praticamente uma família inteira de uma só vez, senti que meu núcleo familiar (pais e irmão) foi injustiçado na época, mas hoje percebi que nossos pensamentos e nossa escolha de como viver a vida não seguem os mesmos padrões. Eu, por exemplo, não abro mão da minha liberdade de pensar, do meu livre arbítrio e da minha exigência em ter direito de resposta. Se for acusada de algo tenho o direito de saber, pelo menos, qual o meu "crime".

Certa vez numa roda de 'Luluzinhas' escutei um desabafo: "O grande conflito das relações familiares é que nos sentimos obrigados a amar nossos pais, irmãos e todos os outros parentes. Só que nem sempre isso é possível, porque há pessoas com grau de parentesco próximo que não compartilham da mesma energia que a nossa." Nunca mais esqueci isso!! Serviu como uma luva para mim. Obrigado a amar? Isso existe?! Existe...

Há uma luta interna quando percebemos que algumas pessoas que deveriam ser importantes simplesmente não os são ou deixaram de ser. Isso não quer dizer que as odiemos ou desejamos o mal, simplesmente não cabem em nosso mundo.

Hoje eu sei que durante muito tempo algumas pessoas me foram essenciais, pois me deram base educacional, me ajudaram a construir meu caráter, minha índole e, principalmente, me incentivaram a pensar! Como eu amo pensar! Costuro pensamentos o dia todo! 

Só que eu percebi que algumas daquelas pessoas fortes, persuasivas e inteligentes usaram sua inteligência de maneira que não me agrada. O poder de persuasão é traiçoeiro, influenciar alguém é uma responsabilidade muito grande. E foi assim que os castelos de areia se desmoronaram à minha frente. Atitudes desnecessárias e por que não dizer covardes fizeram com que o amor deixasse de existir, não existe amor sem admiração. Quando, após anos, entendi tudo isso parei de sofrer e passei a admirar ainda mais aqueles que permaneceram comigo.

Não odeio, não quero mal, só não os quero por perto. Tenho ao meu redor meus parentes que são família e, mais importante, meus amigos! Eu os escolhi, os tenho por perto por opção. Cultivo a cada pensamento o amor que tenho por todos eles.

Meus amigos de infância, adolescência, familiares e aqueles que chegaram há pouco e parecem estar comigo há uma vida ocupam espaços que eu nem tinha percebido que estavam vazios. Estas pessoas são os verdadeiros presentes de Deus em minha vida. É uma maneira muito sutil e divertida de Deus dizer que está comigo!

Viva no amor, mas não no amor cego e incondicional. Ame ao próximo, tenha respeito por todos, mas cuide e preocupe-se com quem realmente merece sua atenção, sua energia e seu carinho. 

O ódio é um amor doente, a indiferença é o que nos liberta daquilo que já não faz mais sentido!












Nenhum comentário:

Postar um comentário